Acontece com frequência no caminho de quem quer levar a carreira para um contexto internacional. O profissional decide otimizar seu perfil no LinkedIn e, ao perceber que pode ter versões em vários idiomas, faz o seu também em inglês.
E pensa: “agora já estou em contato com dois mercados ao mesmo tempo”.
Um detalhe importante que passa despercebido
É nesse momento que os profissionais deixam passar despercebido um detalhe importante: ao se candidatarem a uma vaga através do LinkedIn, será o perfil principal a servir de base para essa candidatura.
Ou seja, não basta ter uma versão em inglês bem construída se o perfil principal estiver em outro idioma. Porque essa é que será a versão utilizada automaticamente nos processos de recrutamento.
Quando o recrutador visita o perfil
Nessa rota de mão dupla, o problema também surge quando um recrutador (ou hiring manager, para usar o termo internacional) visita um perfil. O LinkedIn tenta ajustar o idioma ao utilizador, mas quando não encontra correspondência direta, acaba por mostrar o perfil principal.
Em boa parte dos casos, lá se vai a chance de garantir visibilidade internacional. Simplesmente porque a informação não está no idioma certo para garantir o interesse do recrutador.
A especificidade do mercado português
No caso de Portugal, há ainda outra camada a considerar. Pequenas diferenças na linguagem, embora sutis, fazem diferença para quem está no mercado local.
Desde o uso do gerúndio até termos específicos, algumas escolhas podem criar ruído ou soar pouco naturais. Um exemplo simples é a palavra “retalho”, que em Portugal corresponde ao que no Brasil se chama “varejo”.
Ajustar o vocabulário ao mercado para aquele do país onde se quer atuar é fundamental para transmitir proximidade, credibilidade e alinhamento cultural (a mesma lógica se aplica a outros idiomas, como o espanhol da América Latina e o de Espanha).
A escolha estratégica para quem tem objetivos internacionais
Por isso, quem tem objetivos internacionais, a escolha mais estratégica é clara: o perfil principal no LinkedIn deve estar em inglês.
Networking antes da mudança
Além disso, a construção de networking deve começar antes mesmo da mudança. É preciso buscar conexão com pessoas com quem tenha pontos em comum, seja uma empresa onde ambos trabalharam, a mesma universidade ou experiências profissionais semelhantes.
Falar com pessoas do mercado, trocar ideias e marcar uma simples videochamada pode trazer uma riqueza enorme de informação sobre oportunidades internacionais, cultura e realidade local.
Este ponto é sustentado por estudo publicado na Harvard Business Review. Ele mostra que são muitas vezes as ligações mais “distantes”, e não os contatos mais próximos, que geram novas oportunidades de carreira (ver artigo).
Pequenos detalhes que fazem diferença
Ter o contato visível no LinkedIn.
Estar ligado a profissionais do mercado para o qual se pretende migrar.
Otimizar o perfil com palavras-chave relevantes.
Aumentar a presença em pesquisas de recrutadores. Perfis ativos são priorizados pelo algoritmo e vistos com mais frequência por decisores.
Tudo isto influencia diretamente a probabilidade de ser encontrado por recrutadores.
Reflexão final
Por isso, deixo a pergunta: sua narrativa profissional está alinhada com o mercado onde quer atuar?
Escrito por
José Guilherme Farias
Mentor executivo. Atua nos mercados Brasil e Portugal, apoiando profissionais sêniores em transições de carreira.
