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Artigo

O detalhe que limita carreiras internacionais

Se estás a pensar levar a tua carreira para um contexto internacional, há detalhes simples que podem fazer toda a diferença e muitos passam despercebidos.

AutorJosé Guilherme Farias
11 de jun. de 20262 min de leitura
O detalhe que limita carreiras internacionais

Acontece com frequência no caminho de quem quer levar a carreira para um contexto internacional. O profissional decide otimizar seu perfil no LinkedIn e, ao perceber que pode ter versões em vários idiomas, faz o seu também em inglês.

E pensa: “agora já estou em contato com dois mercados ao mesmo tempo”.

Um detalhe importante que passa despercebido

É nesse momento que os profissionais deixam passar despercebido um detalhe importante: ao se candidatarem a uma vaga através do LinkedIn, será o  perfil principal a servir de base para essa candidatura.

Ou seja, não basta ter uma versão em inglês bem construída se o perfil principal estiver em outro idioma.  Porque essa é que será a versão utilizada automaticamente nos processos de recrutamento.

Quando o recrutador visita o perfil

Nessa rota de mão dupla, o problema também surge quando um recrutador (ou hiring manager, para usar o termo internacional) visita um perfil. O LinkedIn tenta ajustar o idioma ao utilizador, mas quando não encontra correspondência direta, acaba por mostrar o perfil principal.

Em boa parte dos casos, lá se vai a chance de garantir visibilidade internacional. Simplesmente porque a informação não está no idioma certo para garantir o interesse do recrutador.

A especificidade do mercado português

No caso de Portugal, há ainda outra camada a considerar. Pequenas diferenças na linguagem, embora sutis, fazem diferença para quem está no mercado local.

Desde o uso do gerúndio até termos específicos, algumas escolhas podem criar ruído ou soar pouco naturais. Um exemplo simples é a palavra “retalho”, que em Portugal corresponde ao que no Brasil se chama “varejo”.

Ajustar o vocabulário ao mercado para aquele do país onde se quer atuar é fundamental para transmitir proximidade, credibilidade e alinhamento cultural (a mesma lógica se aplica a outros idiomas, como o espanhol da América Latina e o de Espanha).

A escolha estratégica para quem tem objetivos internacionais

Por isso, quem tem objetivos internacionais, a escolha mais estratégica é clara: o perfil principal no LinkedIn deve estar em inglês.

Networking antes da mudança

Além disso, a construção de networking deve começar antes mesmo da mudança. É preciso buscar conexão com pessoas com quem tenha pontos em comum, seja uma empresa onde ambos trabalharam, a mesma universidade ou experiências profissionais semelhantes.

Falar com pessoas do mercado, trocar ideias e marcar uma simples videochamada pode trazer uma riqueza enorme de informação sobre oportunidades internacionais, cultura e realidade local.

Este ponto é sustentado por estudo publicado na Harvard Business Review. Ele mostra que são muitas vezes as ligações mais “distantes”, e não os contatos mais próximos, que geram novas oportunidades de carreira (ver artigo).

Pequenos detalhes que fazem diferença

  • Ter o contato visível no LinkedIn.

  • Estar ligado a profissionais do mercado para o qual se pretende migrar.

  • Otimizar o perfil com palavras-chave relevantes.

  • Aumentar a presença em pesquisas de recrutadores. Perfis ativos são priorizados pelo algoritmo e vistos com mais frequência por decisores.

Tudo isto influencia diretamente a probabilidade de ser encontrado por recrutadores.

Reflexão final

Por isso, deixo a pergunta: sua narrativa profissional está alinhada com o mercado onde quer atuar?

Escrito por

José Guilherme Farias

Mentor executivo. Atua nos mercados Brasil e Portugal, apoiando profissionais sêniores em transições de carreira.